Algodão, modal ou bambu: que tecido para roupa interior?

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O marketing das fibras tende a prometer tudo ao mesmo tempo: respirável, macio, que afasta a humidade, sustentável. Na prática cada fibra troca uma propriedade por outra, e a pergunta útil é qual troca serve o seu dia.

Algodão

O algodão é uma fibra natural oca, daí a sensação de ar. Absorve humidade com facilidade — uma parte considerável do próprio peso — e isso é ao mesmo tempo a sua força e o seu limite.

A humidade absorvida tem de evaporar, e enquanto isso o tecido fica húmido e pesado. Para um dia de escritório é irrelevante. Para uma deslocação com calor ou qualquer atividade, o algodão é a fibra que fica molhada mais tempo.

Molhado perde também a forma: por isso um boxer de puro algodão parece frouxo ao fim do dia e outra vez justo depois de lavado.

O modal é uma fibra de celulose regenerada obtida de pasta de faia. Não é um sintético nem exatamente uma fibra natural no sentido do algodão.

As suas qualidades úteis são mecânicas e não de absorção. O filamento é mais liso do que o algodão, cai mais junto ao corpo sem colar e resiste ao borboto — aquelas pequenas bolinhas à superfície que dão um ar cansado à roupa interior de algodão mais velha.

O modal suporta lavagens repetidas com menos encolhimento e menos perda de cor. Numa peça lavada semanalmente durante anos, isso conta mais do que a suavidade do primeiro dia.

Viscose de bambu

Quase todo o bambu têxtil é viscose de bambu: pasta dissolvida e regenerada em fibra. Quimicamente está muito mais perto do modal do que de uma fibra liberiana natural.

O resultado é muito macio, com um toque ligeiramente fresco. A troca está na resistência: as fibras de viscose são mais fracas quando molhadas do que o algodão ou o modal, pelo que as peças de bambu precisam de lavagens mais suaves para durar.

Trate qualquer produto vendido como "bambu" como viscose salvo indicação contrária, e avalie-o pelos mesmos critérios.

A fibra que quase ninguém lê

O elastano aparece em percentagens de um dígito e faz mais pelo caimento do que a fibra principal.

Cerca de cinco por cento dá à peça capacidade de recuperação: volta à forma depois de esticada, lavagem após lavagem. A zero, o boxer vai ficando mais folgado ao longo do dia e fica assim. Acima de cerca de oito por cento, o tecido fica com sensação de borracha e retém mais calor.

Se comparar dois produtos e só um declarar elastano, essa diferença pesará mais do que algodão contra modal.

Ajustar fibra e dia

  • Sobretudo sedentário, em interior: algodão com elastano. O mais barato, o mais respirável, e o limite da humidade nunca aparece.
  • Dias longos, viagens, clima quente: modal ou mistura modal-algodão. Mantém-se liso, seca mais depressa e não fica frouxo.
  • Pele sensível, prioridade à suavidade: viscose de bambu, lavada a frio e com suavidade.
  • Atividade realmente desportiva: nem algodão puro nem viscose. Um tecido técnico em mistura sintética é a resposta honesta, mesmo que seja menos agradável em repouso.

O que diz a etiqueta

Leia a composição pela ordem: as fibras estão listadas por peso decrescente. "Modal, algodão, elastano" é sobretudo modal. "Algodão, modal, elastano" é sobretudo algodão com toque de modal.

Uma mistura é normalmente a escolha pragmática: algodão para o ar, modal para a suavidade, elastano para a recuperação. As peças de fibra única têm carácter mais puro e comportamento mais unilateral.